sexta-feira, 29 de junho de 2012

Viajando em post de Borboleta

E aí me deu vontade de ler um texto da Borboleta Luciana . E, por sorte, ela tinha acabado de postar esse, antigo, mas no ponto pra mim hoje. Que fala de uma certa sensação de ser antiga. E eu hoje dizia que sou "anti-moderna". Sou meio. Não gosto do moderno pelo moderno. Vejo o mundo indo e vindo. Não sou saudosista, mas não acho que pra frente é sempre melhor. Há melhor, há pior. Cíclico. Rodando. Mundo gira e a gente com ele. Pra melhor, pra pior. Porque a estrada não é reta e não vai do pior pro melhor. Nem do melhor pro pior: essas não são, simplesmente, as categorias adequadas. Não cabem aí. O mundo vai no seu ritmo. A gente tenta se ajustar. Ir com ele. Pegar no tranco. E consegue às vezes. Às vezes não.


O texto da Lu também fala de outra coisa que me toca tão de perto, tão lá no fundo: o eu-indo. Já escrevi uma vez: "minha casa é indo". Já mudei muitas vezes de casa, entrei num avião a primeira vez pra ser batizada, viajei sozinha com algo como cinco anos. Morrendo de medo. E de vontade. Medo e vontade que nunca mais me abandonaram. Que apertam o estômago quando estou indo. De alegria e susto. Do desconhecido. Do já conhecido que vou rever. Das saudades que vou matar. Das outras que vou deixar. Que delícia. Que medo. Minha família no Recife, e as viagens de carro cantando. Meus avós, minha tia em São Paulo. O exílio em Genebra, e todas as viagens que dali se seguiram (tantas também de carro, sempre cantando). Meus pais nômades que, depois, não conseguiram parar no canto e foram pra Brasília, pra Roma, pra Brasília de novo. E novas cidades a conhecer. E novas "casinhas de nós" a serem montadas. Novos restaurantes da esquina - menos em Brasília, que, como todo mundo sabe, não tem esquinas. Novos cafés. Novas caras, novos jeitos.


E me reconheço no jeito da Lu de viajar: sem preocupação com cumprir etapas. Sem precisar ver "o que tem que ser visto". Só estando: estando lá, absorvendo os sons, as cores, as caras, os jeitos. Como gato, gosto de construir cantos meus. Um lugar pra ir todo dia: um café, um boteco. Onde o garçom já me conheça e sorria à minha entrada: em uma semana viro "local" e me esparramo nisso. Sento e olho. Posso passar uma tarde, duas, até mais, numa viagem de uma semana, só olhando. Ouvindo as conversas, entendendo ou não. Aprendendo os jeitos. Andando muito a pé, de preferência. Fotos? Nem sempre. Nem tanto. Porque estar lá é o que importa. Nas palavras da Borboleta, com quem converso nesse post, " As experiências costumam ficar onde eu gosto que estejam: em mim". E em mim ficam e me transformam, de tal forma que um cheiro, um trecho de música podem me transportar de volta. Pra quem eu era naquele momento, naquela viagem. Tomando cerveja com Celina e Adalberto em Havana. Ouvindo Lysâneas falar no Natal ecumênico dos brasileiros exilados, em Les Haudères. Comendo peixe com Andrés e Ju em Carneiros. Sentada com Adriana na porta da casa de Baccaro em Olinda. Ou ainda aqui pertinho, discutindo política com Paula e Paulo em Saquarema. Com Pinheiro e Berenice no sítio de Guapi. 
Porque viajar são também as gentes que a gente conhece. E que a gente leva. Que a gente encontra. Que a gente carrega, fora e dentro da gente. 


...Dá licença, povo. Vou ali arrumar a mochila. Tô indo. Tô indo agora. Bora?