terça-feira, 16 de agosto de 2016

Uma Despedida

“Eu estive lá. Foi bonito. Muita gente”, me disse ele. E meu coração aqueceu um pouco. Que bom que tinha muita gente. Que bom que foi bonito. Parece pequeno e pouco, mas minha impressão é que a gente vê todo mundo nessas horas. Que a gente absorve a energia toda de quem esteve lá com a gente, pra chorar com a gente, pra abraçar a gente.

Rituais, despedidas. Homenagens. Falas, às vezes: às vezes não, é apenas um estar junto. Um afirmar silencioso “eu estou aqui, com você”. Sua dor é minha dor também. Vamos puxar esse barco juntos, carregar essa pedra juntos, contar essa história juntos. Eu estou aqui, com você.

Mesmo que o tamanho da dor seja seu. Todo. A dor não diminui, ela só fica, talvez, menos fria. Muda a qualidade. Porque a gente está ali. Em volta da fogueira. Dando as mãos. Cantando kumbayá. Ouvindo os causos e as histórias que são uma forma de fazer com que a pessoa que se foi esteja presente. Uma forma de dizer que ela continua presente, pela marca indelével que deixou na gente. Tatuagem.

Que é pra me dar coragem de seguir viagem quando a noite vem.

Meu irmão, meu amigo, meu amor, eu não pude estar aí com você. Meu coração estava aí com você. Meu coração está aí. Com você. Viva ele que você amava. Que você ama. Viva você que a gente ama. Sigamos. Vamos juntos.


imagem daqui


6 comentários:

  1. e eu nem tinha visto que tinha um post tão terno e bonito

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  2. Quando a minha mãe de santo morreu fizemos uma festa no cemitério com tambores, cantos, lágrimas e sorrisos. Foi umas das coisas mais lindas e mais tristes que passei na minha vida. Lindo post, Re. Beijos

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    1. eu gosto dessas festas, Maico. quando meu pai morreu, a gente saiu do enterro pro bar. e foi uma celebração, assim, as pessoas falando dele, contando histórias. rindo. beijo grande.

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  3. no enterro da minha vó, meus amigos mais chegados e eu ficamos num canto rindo horrores. As pessoas nos olhavam chocados. A gente nem tava falando da minha vó, mas aquelas risadas combinavam tanto com ela. Seu segundo parágrafo resume o sentimento por trás daquelas risadas.

    Que texto bonito!

    Eu venho aqui no seu blog só pra dizer: nossa, como me identifico com isso! hahahaha

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    1. Adoro essas visitas assim! Mas é isso, concordo demais. É bem esse ritual de trazer a pessoa pra junto, contar histórias dela... a cara de tristeza não é necessariamente a de quem tá sentindo mais a perda.
      Beijo!

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