sábado, 6 de outubro de 2012

É amanhã - e vai ser depois





É amanhã. É amanhã e foi linda a caminhada até aqui. E junto-me ao coro dos que dizem “não importa o resultado, a gente já venceu”.
A gente já venceu. Um partido nanico, sem grana, sem coligações (deve-se dizer que o valoroso PCB não lançou candidato a prefeito para apoiar Freixo), sem tempo de TV.
E foi o que se viu.
De repente, milhares de jovens nas ruas. De repente, o espaço da ABI ficou pequeno pra tanta gente, tanta vontade, tanta energia.
O comício da Lapa, milhares de pessoas embaixo da chuva forte, e sorrindo. Sorrindo porque valia a pena tar ali, porque a gente sabia que era momento histórico, que o padroeiro São Sebastião tava era chorando de emoção com a homenagem, com a demonstração de carinho.
Resistiremos.
E temos resistido. Tamos aí. Porque nada deve parecer impossível de mudar. E nada é. Se a gente acredita, a gente vai. Se a gente vai, a gente faz. E no fazer, quando vê, já mudou.




Pessoas me perguntam e me pedem razões “para acreditar no Freixo”. Gente que me diz que está meio de saco cheio do endeusamento da imagem, da criação de um novo herói.
O que responder a isso? Eu tive, por circunstâncias, a possibilidade de estar por várias vezes na mesma mesa de almoço que Marcelo Freixo, além de conhecer seu gabinete e sua atuação na ALERJ. E afirmo aqui: Marcelo Freixo é isso aí. Nem mais, nem menos. É isso aí que vocês tão vendo. Não faz cena, não inventa, não faz pose. Pessoalmente, de perto, ele é igual. E aí, acho, tá a sua grande qualidade: é “um cara igual”. Igual a ele mesmo. Um cara que dá a cara a tapa. Que mostra a que veio. É isso aí mesmo. 



Única vez na vida em que eu tirei foto com candidato.

Quanto ao “endeusamento”... olha. Não tem muito jeito. Numa cidade tão sofrida. Uma juventude tão desencantada, tão acostumada a ouvir que “política é isso aí mesmo”. Que ouviu Lula no poder dizer que não fazia mais “bravatas” como quando tava na oposição. Que assistiu ao maior partido de esquerda da América Latina virar... bom, nem vou me estender, né. Virar isso aí que a gente tá vendo. Porque de política de possível em política de possível, a gente ainda vai ficar espremido num só ladrilho. Pequeno.

Aí tem esse cara: o cara da CPI das milícias. Só deu porque as circunstâncias permitiram? É evidente, é claro: mas alguém tinha que propor pra dar, não é mesmo? E foi ele. Presidiu a CPI, esse deputado jovem e desconhecido. Aguentou e aguenta a ira dos milicianos protegidos e até defendidos por Eduardo Paes (não vou linkar, mas é só botar no youtube: Eduardo Paes e milícias, tá lá pra quem quiser ver). Sofre ameaças de morte, anda com seguranças. Saiu do Brasil por uns dias, para deixar as coisas se acalmarem. E nem vou responder a quem diz que isso era jogo de cena: a juíza Patrícia Acioli era próxima e querida. Tenham respeito. Vão andar um dia que seja com os sapatos de Marcelo Freixo.

E, com tudo isso, ele diz - e isso é que eu acho que nego tem dificuldade de engolir: “eu só fiz meu trabalho”. Diz isso de verdade, mas quantos subentendidos. Ele fez o trabalho dele e apenas isso. E por isso é jurado de morte. Dá pra entender? Ele fez. E os outros? Fizeram o que mesmo? Fácil é ficar sentado em casa, de chinelos, e chamar quem cresce por estar na luta de arrogante. De “metido”. Vem fazer, ora. Vem mostrar como é que você acha que se faz. Isso muda uma cidade. Muda um país.

E aqui a outra grande novidade dessa capanha, seguindo a trilha de Plínio de Arruda Sampaio em sua candidatura à presidência: a repolitização da política. Marcelo Freixo dá nó na cabeça dos repórteres e diz: “meu partido não se diz socialista; ele é socialista”. Diz “temos que reestatizar o Estado”. Reestatizar o Estado: proposta quase revolucionária nos neoliberais e privatizados tempos que correm. Quando o projeto é embelezar o Rio e vendê-lo pra quem pagar mais. Marcelo diz: “Copa, Olimpíadas? Sim, claro. Contanto que os primeiros beneficiados sejam os cariocas”.

Tentaram colocá-lo no lugar do Gabeira, de “candidato Zona Sul”: mas Marcelo Freixo não é da Zona Sul: nem é do Rio, é de Niterói e de família de classe média-média. Isso molda seu olhar sobre o mundo. Caetano bem reconheceu isso, quando, no lindo show “Primavera Carioca” - mais uma manifestação espontânea de alguém que ama o Rio -, contava o Rio a partir do seu olhar de menino de Santo Amaro, que morava no subúrbio e pegava o trem da Central. Esse Rio.

Quando não era ninguém, Marcelo Freixo tava dentro das prisões dando aula de história. E daqui a pouco vão dizer que ele já fazia isso pensando em enfeitar sua biografia pro futuro...


Né. As pessoas dizem coisas.

E, enquanto isso, quem viveu essa campanha se abraça com brilho no olho, um brilho quase esquecido. E vai pra rua, vai andar com Freixo, vai abraçar o Maraca, vai acompanhar a apuração na Lapa.
Porque, o que quer que aconteça amanhã - e tantas surpresas são possíveis -, a gente já ganhou. E isso não para aqui. Isso é só o começo. E que lindo começo.






Obrigada, Marcelo, pela possibilidade de viver essa campanha. Obrigada, todo mundo. Milton, Chico, Eliomar, Cinco, Paulo Pinheiro, Babá, Mozart e tantos; Pedrinho, Tiago, Julia, Dudu, Renato, Magda, Zé, Mariozinho, André, Leo, Suely, Zé da Lata e Suely, Marisa, Sérgio Granja, Cataldi e todos os outros. E, claro, as companheiras do http://fechocomfreixo.com/ , Kika e Bia.


Foi bom andar com vocês até aqui. Foi bonito, foi alegre, foi colorido. Vamos adiante!


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Primeiro Passo

E hoje o Chopinho abre suas portas para post de convidado. Seu nom de plume é Euclydes P.  Comunicador e conhecedor da alma carioca, traduz o sentimento de muitos com raro talento. Abaixo ele conta mais:


Fingir pode ser necessário em alguns momentos da vida. Este não é um deles. Não dá para fingir que a cidade vai bem. E ir bem, no caso, significa atender às necessidades da maioria da população trabalhadora e pagadora de impostos. Ir bem quer dizer oferecer uma rede pública de saúde digna desta definição, de ser pública e cuidar da saúde dos cidadãos. O mesmo vale para a rede pública de educação , que seja pública; logo, aberta a todos e capaz de educar as novas gerações para o mundo de hoje e o que está por vir. Ao passar na frente de uma escola municipal deveríamos sentir orgulho de viver numa cidade que dá as condições, ao aluno e ao professor, de desenvolver suas potencialidades.

Nos transportes, é preciso de uma vez por todas repensar o modelo falido que insistimos em replicar e maquiar. Desde quando linhas expressas de ônibus são solução para qualquer coisa? Por que não retomar o debate sobre a massificação do uso do transporte sobre trilhos? Nos bondes, dentro do perímetro urbano e nos trens para o subúrbio...

O dinheiro olímpico, as verbas do futebol, o fluxo turístico, nada disso será interrompido. Mas podemos sim interromper, ou ao menos enfrentar, a violência das milícias (que contribui para o caos nos transportes com as vans), a concentração de poder e dinheiro nas mãos dos mesmos empresários de ônibus de sempre, a avassaladora especulação imobiliária, que desfigura sempre e mais uma cidade que tem tudo para crescer mais horizontal, mais ampla e mais plana. É preciso ainda e é possível incentivar o uso de bicicletas, com campanhas, abatimento de impostos, educação. Não fingir que temos ciclovias viáveis nem alardear que somos metrópole civilizada por conta de um sistema de aluguel restrito e irresponsável.

Precisamos querer mais do que apenas uma boa relação com os governos estadual e federal ao custo que for. Temos que investir na nossa vocação,turística, cultural e industrial. Mas não com siderúrgica na região metropolitana, não sem uma política séria de saneamento básico e otimização do uso da energia, e muito menos deixando a gerência da nossa festa popular maior, o carnaval, a cargo de uma máfia que conta entre seus integrantes bicheiros, milicianos e torturadores.

O primeiro passo para viabilizar qualquer dessas discussões é ter a oportunidade de ver um debate franco , com justa divisão do tempo , onde problemas sejam levantados e encarados. O primeiro passo é levar Marcelo Freixo para o segundo turno. Estamos juntos.




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tá chegando a primavera e a gente vai tar lá




Hoje é dia de primavera. Não exatamente o dia do começo da primavera no calendário: esse é dia 22, amanhã. Hoje é dia da nossa primavera. Nossa primavera carioca.
"Eu sou carioca e fecho com Marcelo Freixo."
E vocês podem achar que é besteira, mas eu, que não tô nem cantando, choro só de escrever. Porque isso tem duas partes: "eu sou carioca" - e isso pra mim é conquista tão grande, eu a desgarrada, a filha de exilados, a menina desenraizada, um dia, depois de muito tempo, me assumi carioca e até escrevi um texto sobre isso: "Cidade Conquistada". Não foi mole, não foi fácil, mas é isso: nasci em Sampa, de pais pernambucanos, cresci na Suíça. E sou carioca. Me aguentem.

A segunda parte também me faz chorar: fecho com Marcelo Freixo. Cacete. Fecho como não fechava com ninguém há tanto tempo. Bom, pra não ser injusta, antes teve o Plínio, que admiro há tanto tempo pela via do meu pai lutador da reforma agrária, e que trouxe de volta a política (e não o marketing, e não as pesquisas, e não os Duda Mendonça) para o debate político.
Marcelo Freixo tem história e aprofunda lindamente essa senda. Traz de volta, todo dia, a política para o debate. Como não se emocionar quando ele responde na lata, em entrevista-pauleira e canalha do RJTV , a uma repórter que mencionou "você que é de um partido que se diz socialista"... e Freixo, rápido: ""se diz", não. O PSOL é socialista." Como não admirar a história de vida desse cara formado em história e  que, por tanto tempo, trabalhou como voluntário dando aulas nas prisões do Rio? Aí a gente acredita quando ele fala que preso que cumpriu pena não deve mais nada à sociedade. Aí a gente vislumbra um caminho diferente.

A gente que tá na campanha tá vendo as dificuldades: um partido tão pequeno, um partido tão jovem, uma campanha tão sem grana, brigando com o candidado do poder, da Globo, das empreiteiras. Contra o candidato da Delta e das milícias que assolam o Rio de Janeiro e impedem Marcelo Freixo de andar sem segurança. E no entanto, tem cheiro de novo no ar. Cheiro de primavera. Cheiro de esperança, nas rodas e nas redes, nas ruas e nas praças, que estão sendo retomadas pelos meninos que sentem que Marcelo Freixo é diferente. E todo dia tem uma invenção: um jingle, uma camiseta, um evento, uma festa.

E, olha que novidade: um comício. Tem um comício hoje, gente. Um comício na Lapa, um comício da primavera. Com flores, com fita amarela. Com alegria, como deve ser um comício levado no boca-a-boca, na ciranda em que se puxa um, e mais uma, outra ainda. Olha que novidade. A gente pensava que isso não aconteceria mais. Que a realpolitik do neoPT tinha dominado o mundo e acabado com a esquerda. E eis que. Tamos aí. Tamos aí de novo. Na Lapa que é lugar que já foi tão degradado, e hoje é espaço público de festa e alegria.
Vai ter concentração das mulheres na Carioca; vai ter outra concentração na Central.
Tudo espontâneo, tudo combinado pelas redes que nos ajudam a estar juntos e misturados pra celebrar a chegada desse novo em que a gente nem acreditava mais: esperança é a palavra, e ela começa com Marcelo e acaba com Freixo.
Sou carioca e voto Marcelo Freixo - 50. Com muito orgulho.




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Página solta de história não-escrita




Ando sem escrever. Muitos textos não-escritos: todos na cabeça. Alguns rascunhados. Mas nenhum pronto ainda.
Pra não deixar o mato crescer demais, vai aqui um antigo. Que é também um rascunho. Quem sabe.

****

Queria contar esta história como uma história de medo. Medo e solidão, que sempre me acompanharam e talvez me acompanhem até hoje.
 Medo da ausência. Medo de portas fechadas. Medo de dormir com a luz apagada. Solidão: pela estranheza, pela diferença, pela falta de vínculos com a realidade dos outros.

A necessidade de contar esta história sempre existiu, mas só agora, a partir deste nome, consigo encontrar o fio condutor: os filhos da tempestade. Aparentemente iguais a todo mundo, e que no entanto guardam marcas diversas de um tempo em que a vida virou de cabeça pra baixo; foram arrastados pela chuva e tiveram que se manter à tona.

A história, na sua origem, trata de mim: gerada na Argélia, nascida em Sampa, crescendo um pouco no Rio, um pouco em Genebra, filha de pais pernambucanos - não há como estranhar a falta de raízes e a urgência de me sentir “pertencente a” alguma coisa, qualquer coisa, um grupo de igreja, uma turma de colégio ou de faculdade, a família de Recife... algo que me desse uma identidade coletiva e me fizesse menos sozinha.

Minha vida sempre se compôs de definições e redefinições, como se fosse possível a qualquer hora “desmanchar e fazer de novo”. Usar uma borracha e retraçar caminhos partindo do zero. Mudanças de escola, de amigos, de bairro, de cidade, de país. Pra recomeçar tudo a cada vez.
Esta realidade que é a minha não foi - na origem - construída por mim. Esta diferença que determinou a qualidade do meu olhar sobre o mundo me foi imposta pelas opções dos meus pais.
Rue Saint-Laurent, la "maison de verre".  O segundo pouso.

E aqui é que surge o verdadeiro tema deste texto: a não-escolha. Desde a “Abertura”, muito já se escreveu sobre os rumos tomados por aqueles que escolheram. Pra mim, falta ainda falar dos outros: os que foram levados, os filhos da tempestade - que até hoje lutam para encontrar sua identidade, num mundo em que são sempre, em certa medida, estrangeiros.
A primeira dificuldade, creio, é mostrar que há aí uma história a ser contada. História de não-sujeitos da ação. História de objetos diretos ou indiretos, de complementos cuja função era seguir... e segurar a onda. Porque naquele momento os problemas fundamentais eram outros, maiores, que não passavam pela gente. Organização, estratégias, separações, rachas, perdas e danos, esperança... e a gente acompanhando, ouvindo, olhando, crescendo dentro da tempestade. A gente se juntando na diferença: os excluídos. A gente se sentindo tão pequenos diante daqueles heróis que eram nossos pais. Os que fizeram. Os que tentaram. Os que escolheram. Os que sofreram “a dor e a delícia de ser o que e(ram)”.

E isso é outra questão que se coloca como fundamental, a meu ver, para os “filhos da tempestade”, sobretudo numa análise a posteriori: como sobreviver a esses heróis? como corresponder às expectativas -deles e, sobretudo, nossas? De que maneira estar à altura e não frustrar o que acreditávamos que eles  esperavam de nós?... tantas perguntas, que definem escolhas às vezes insensatas, que constroem uma tensão maior do que a habitual entre o que se quer e o que se deve – a si mesmo, aos pais – , tornando a busca de identidade própria da adolescência um sofrimento tão maior do que o inevitável, e a vida adulta na “democracia” às vezes um pouco pálida diante do que sonhamos e vimos acontecer.




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meu canto de Sampa

Tô em Sampa. Vim por motivos variegados, mas o que me puxou foi saber que a Fal do Drops ia dar uma oficina de escrita em blogs, ontem à noite - e eu podia - , na Av. Ipiranga, perto da praça da República -  e eu sabia chegar,

[pausa pra dizer que sou geograficamente prejudicada e o "eu sabia chegar" é muitíssimo importante, embora possa não parecer. O "sei chegar"e "não sei chegar" determinam mais coisas na minha vida do que sonha vossa vã filosofia.]

A noite de ontem foi maravilhosa, a oficina regida pela Fal (e a palavra que me vem é bem essa, a Fal com sua batuta regendo a orquestra de boquiabertos que éramos nós, encantados com o fio da meada que ela puxa tão lindamente que até parece natural) eu não cansarei de recomendar ... e por conta da oficina devo dizer que, duas coisas: tô tomando vergonha e "cuidando" do meu blog daqui mesmo de Sampa, como vocês podem ver; e vou parar de enrolar e finalmente botar um blogroll aqui. O motivo de não ter feito isso ainda é: não sei como faz e demoro pra aprender. Tenho blog há um ano, que ganhei de presente de aniversário da Cacá (que me conhece mais do que eu pensava....), e aprendo qualquer coisa muito devagar. Isso também não parece, porque normalmente aprendo quietamente, calada. Treino em casa, com a porta fechada. Aí, quando acontece o movimento "pra fora", é porque eu já estou segura de que sei, e parece que sou muito rápida e eficiente. Mentira. Sou é dissimulada. Mas a Fal me ensinou ontem que é meio falta de educação não ter blogroll - inda mais no meu caso, eu que fui tanto tempo visitante assídua de blogs alheios.

Mas o título do post é "meu canto de Sampa": vamos a ele. Sou uma pessoa desgarrada, gerada-na-Argélia-nascida-em-Sampa-criada-meio-no-Rio-meio-em-Genebra-filha-de-pernambucanos. Pernambucanos nômades. Por conta disso, aprendi cedo a criar cantos: meus cantos nas cidades por onde passo. São Paulo, onde as tias Sônia e Pilar moraram boa parte da vida, onde os avós Lins viveram certo tempo, sempre esteve na jogada.

 Não sou paulista em nenhum sentido que faça sentido, apesar de ter nascido na Maternidade São Paulo (como a Fal, a Camila e nem vou contar quem mais). Apesar disso, tenho, há muito, um canto em Sampa: aqui. Perto de onde foi a oficina da Fal. Do lado da Praça da República. Ando pela Barão de Itapetininga e a Sete de Abril como se reencontrasse velhas conhecidas: "olha, aquele restaurante virou chique... aquele café não tem mais... a "minha" farmácia continua igual".... vou à livraria italiana, à livraria francesa. Será que a pequenininha, inglesa, ainda existe? O sebo grandão que tinha perto da praça eu sei que fechou. Caminho, tenho meus trajetos, meus pontos de parada. Tô em casa. É meu canto. Me reconheço aqui. Tô acolhida.

E, porque a oficina da Fal era no meu canto em Sampa, vim feliz. Entendi como um aviso do anjo da guarda: tá tudo aí, você decifra se quiser. Os anjos da guarda, como é de amplo conhecimento, não conversam com a gente: mas indicam. É só prestar atenção.






sábado, 25 de agosto de 2012

Feminices



Primeiro um pó solto - como se fosse uma preparação de tela. Não dá pra usar base líquida: meu rosto de ascendente áries é quente e eu era capaz de suar. Base líquida: só em terras frias.

Depois os olhos: lápis, preto e marrom. Fazendo o contorno por baixo, sem chegar até o canto interno. Às vezes, também o contorno por cima - só no finalzinho, perto do canto externo. A sombra não tem muita hora, vem antes ou depois. (não, isso não é um tutorial. Nota mental: aprender com a Camila a não usar tantas reticências). É assim de "cor da pele" pra lá: moreno, queimado, castanho. Uma clara pra dar uma iluminada: bem no meio da pálpebra. Às vezes, bem às vezes, passo um iluminador por baixo do olho, pra realçar. E rímel, habilidade e gosto adquiridos há bem pouco tempo. 

Enfim. Os olhos são fundamentais. Pelo menos por aqui.

Batom: contorno a lápis (marrom) ou com um batom mais escuro (marrom também). Não uso batom vermelho: só nesses tons aí de marrom. Não é que eu não goste: acho que fica incrível em outras pessoas. Em mim, só se misturar com café, com chocolate. Não dá pra ser vermelhão que fica esquisito.
Voltando: batom - contorno mais escuro, preenchimento mais claro (desde um tipo nude até o "cor de boca" mesmo, ou um "cor de boca de alguém mais moreno do que eu". Se é que vocês me entendem.).

Às vezes, faço uma "boca de Emília" no meio, com o batom mais escuro: dá uma esculpida na boca, dá relevo. Fica bem bom. Por cima, um dourado, muitas vezes. Acabamento.

No fim, mais um pó, pra uniformizar. E uma borrifada de soro ou água mineral em certos dias: dá maior fluidez ao conjunto.

Resultado - como diz minha irmã: quase não se vê. Mas era esse mesmo o propósito. ;)





domingo, 19 de agosto de 2012

Amores e livros policiais





Sou dessas criaturas que amam histórias de amor e livros policiais. Tudo junto e misturado. Aí, outro dia em que tava num "buraco" de espera, fiquei viajando sobre isso: o que é necessário para escrever uma história de amor. Pensei umas coisas, enquanto esperava o João na fisioterapia: meio desordenadas, impressionistas. Certamente nada que de fato "valha a pena". Só uma maneira de passar o tempo. Mas é assim, né? O blog é meu e eu escrevo o que eu quiser? Então lá vai.

Como num livro policial, os personagens são fundamentais - ao contrário, por exemplo, das histórias de espionagem, onde a trama e a ação é que são relevantes. Por isso, aliás, é que não gosto de livros de espionagem: eu gosto é de gente, e ali os personagens muitas vezes não passam de esboços. Quanta diferença do Nero Wolfe, do Lord Peter Wimsey, do Dalgliesh da P.D. James, do inspetor Rebus do Ian Rankin. 

Um obstáculo é necessário para estruturar a história: e os exemplos clássicos que me ocorrem são Romeu e Julieta, Tristão e Isolda. Nessas duas, o obstáculo é externo; eu, de minha parte, tenho certa preferência pelas histórias de amor em que o obstáculo que impede a realização plena do sentimento amoroso vem de dentro de um ou dos dois personagens. Quando o impulso amoroso é bloqueado pela própria moral, pelos próprios limites dos envolvidos. Como acontece, por exemplo, com Paulo, em Lucíola, de José de Alencar (que eu li primeiro do que a Dama das Camélias, e por isso é minha referência). Ou no caso da paixão do português Jerônimo por Rita Baiana, no Cortiço de Aluísio Azevedo. O amor contra a vontade de Eugênio por Olívia em Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo.

Desses é que gosto, e aí é que encontra semelhança livros de amor/ livros policiais. Eros e Tanatos, sensualidade e pulsão de morte, domínios de Touro e Escorpião. Nesses casos, a paixão contra os limites internos não deixa de ser uma forma de assassinato: assassinato de moral. De bons costumes. De idéias feitas. Rompimento com aquilo em que se foi levado a acreditar e a aceitar como necessário - pela família, pela educação, pelo meio em que se vive. Luta interna, disputa de espaço entre o eu-luz e o eu-sombra. Culpa, dores, mortificações. Mortes. Mortes de velhos eus.

Sei lá. Achei que tinha a ver.