A gente já venceu. Um partido nanico, sem grana, sem coligações (deve-se dizer que o valoroso PCB não lançou candidato a prefeito para apoiar Freixo), sem tempo de TV.
E foi o que se viu.
De repente, milhares de jovens nas ruas. De repente, o espaço da ABI ficou pequeno pra tanta gente, tanta vontade, tanta energia.
O comício da Lapa, milhares de pessoas embaixo da chuva forte, e sorrindo. Sorrindo porque valia a pena tar ali, porque a gente sabia que era momento histórico, que o padroeiro São Sebastião tava era chorando de emoção com a homenagem, com a demonstração de carinho.
Resistiremos.
E temos resistido. Tamos aí. Porque nada deve parecer impossível de mudar. E nada é. Se a gente acredita, a gente vai. Se a gente vai, a gente faz. E no fazer, quando vê, já mudou.
O que responder a isso? Eu tive, por circunstâncias, a possibilidade de estar por várias vezes na mesma mesa de almoço que Marcelo Freixo, além de conhecer seu gabinete e sua atuação na ALERJ. E afirmo aqui: Marcelo Freixo é isso aí. Nem mais, nem menos. É isso aí que vocês tão vendo. Não faz cena, não inventa, não faz pose. Pessoalmente, de perto, ele é igual. E aí, acho, tá a sua grande qualidade: é “um cara igual”. Igual a ele mesmo. Um cara que dá a cara a tapa. Que mostra a que veio. É isso aí mesmo.
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| Única vez na vida em que eu tirei foto com candidato. |
Quanto ao “endeusamento”... olha. Não tem muito jeito. Numa cidade tão sofrida. Uma juventude tão desencantada, tão acostumada a ouvir que “política é isso aí mesmo”. Que ouviu Lula no poder dizer que não fazia mais “bravatas” como quando tava na oposição. Que assistiu ao maior partido de esquerda da América Latina virar... bom, nem vou me estender, né. Virar isso aí que a gente tá vendo. Porque de política de possível em política de possível, a gente ainda vai ficar espremido num só ladrilho. Pequeno.
Aí tem esse cara: o cara da CPI das milícias. Só deu porque as circunstâncias permitiram? É evidente, é claro: mas alguém tinha que propor pra dar, não é mesmo? E foi ele. Presidiu a CPI, esse deputado jovem e desconhecido. Aguentou e aguenta a ira dos milicianos protegidos e até defendidos por Eduardo Paes (não vou linkar, mas é só botar no youtube: Eduardo Paes e milícias, tá lá pra quem quiser ver). Sofre ameaças de morte, anda com seguranças. Saiu do Brasil por uns dias, para deixar as coisas se acalmarem. E nem vou responder a quem diz que isso era jogo de cena: a juíza Patrícia Acioli era próxima e querida. Tenham respeito. Vão andar um dia que seja com os sapatos de Marcelo Freixo.
E, com tudo isso, ele diz - e isso é que eu acho que nego tem dificuldade de engolir: “eu só fiz meu trabalho”. Diz isso de verdade, mas quantos subentendidos. Ele fez o trabalho dele e apenas isso. E por isso é jurado de morte. Dá pra entender? Ele fez. E os outros? Fizeram o que mesmo? Fácil é ficar sentado em casa, de chinelos, e chamar quem cresce por estar na luta de arrogante. De “metido”. Vem fazer, ora. Vem mostrar como é que você acha que se faz. Isso muda uma cidade. Muda um país.
E aqui a outra grande novidade dessa capanha, seguindo a trilha de Plínio de Arruda Sampaio em sua candidatura à presidência: a repolitização da política. Marcelo Freixo dá nó na cabeça dos repórteres e diz: “meu partido não se diz socialista; ele é socialista”. Diz “temos que reestatizar o Estado”. Reestatizar o Estado: proposta quase revolucionária nos neoliberais e privatizados tempos que correm. Quando o projeto é embelezar o Rio e vendê-lo pra quem pagar mais. Marcelo diz: “Copa, Olimpíadas? Sim, claro. Contanto que os primeiros beneficiados sejam os cariocas”.
Tentaram colocá-lo no lugar do Gabeira, de “candidato Zona Sul”: mas Marcelo Freixo não é da Zona Sul: nem é do Rio, é de Niterói e de família de classe média-média. Isso molda seu olhar sobre o mundo. Caetano bem reconheceu isso, quando, no lindo show “Primavera Carioca” - mais uma manifestação espontânea de alguém que ama o Rio -, contava o Rio a partir do seu olhar de menino de Santo Amaro, que morava no subúrbio e pegava o trem da Central. Esse Rio.
Quando não era ninguém, Marcelo Freixo tava dentro das prisões dando aula de história. E daqui a pouco vão dizer que ele já fazia isso pensando em enfeitar sua biografia pro futuro...
Né. As pessoas dizem coisas.
E, enquanto isso, quem viveu essa campanha se abraça com brilho no olho, um brilho quase esquecido. E vai pra rua, vai andar com Freixo, vai abraçar o Maraca, vai acompanhar a apuração na Lapa.
Porque, o que quer que aconteça amanhã - e tantas surpresas são possíveis -, a gente já ganhou. E isso não para aqui. Isso é só o começo. E que lindo começo.
Obrigada, Marcelo, pela possibilidade de viver essa campanha. Obrigada, todo mundo. Milton, Chico, Eliomar, Cinco, Paulo Pinheiro, Babá, Mozart e tantos; Pedrinho, Tiago, Julia, Dudu, Renato, Magda, Zé, Mariozinho, André, Leo, Suely, Zé da Lata e Suely, Marisa, Sérgio Granja, Cataldi e todos os outros. E, claro, as companheiras do http://fechocomfreixo.com/ , Kika e Bia.
Foi bom andar com vocês até aqui. Foi bonito, foi alegre, foi colorido. Vamos adiante!






