sábado, 28 de setembro de 2013

Um fio de Ariadne



Leio "farfalla".
Só isso.
E é imediato.
Vem a música inteira.
A sala na penumbra.
O estômago apertado.
As mãos geladas.
A dificuldade de respirar.
E ele. Ele, claro.

- sempre teve um "ele -
A primeira música lenta
("le premier slow")
a gente não esquece.
E volta, assim,

inteirinha, 
pelas asas de uma farfalla à toa.









quinta-feira, 4 de abril de 2013

O que não se diz



É uma lembrança de filme. Um filme que entremeia depoimentos de mulheres presas e torturadas durante a ditadura, com uma personagem (vivida pela Irene Ravache) cujas falas também são tiradas de depoimentos reais. Da Lucia Murat: "Que bom te ver viva".

Tem certo momento em que a personagem da Irene Ravache fala do desconforto dos amigos, após um primeiro momento de alegria e alívio, do "que bom te ver viva".  Mas aí vem o desconforto.Desse assunto estar tão aí, tão presente. Tem uma vontade, ali na beirada, de dizer "pronto, passou, acabou". E mudar de assunto. Porque essa dor, essas feridas, o que ficou, é incômodo também. A gente gostaria de poder virar a página, de poder voltar ao que era antes, de apagar aquilo. E o assunto continua ali, presente. 

Tão mais presente que acabou, mas não acabou. Sem encerramento, sem fechamento. Só um "pronto, passou". E aí? O que fazer com aquilo tudo tão presente, tão ali, enquanto todo mundo continua com a vida? 

Pesada demais. Com histórias demais. Deprimida demais. Por que não deixar passar, viver a vida, se tornar mais leve, aproveitar o momento, carpe diem e tudo isso? A vida é agora, a hora é essa, o futuro te espera. E no entanto.
Ainda. Continua. Tá ali. Não vai embora. Não se dissolve, não se apaga, não desaparece. 


Que deselegante. 
Que desagradável. 
Que incômodo. 
Para com isso. 
Larga isso. 
Pra que voltar a falar nisso?
 Lá vem você de novo. 
Agora não é hora.
 Pensa em outra coisa, vai. 

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Este post foi escrito para a VII Blogagem coletiva #DesarquivandoBR


terça-feira, 19 de março de 2013

NOTA DE REPÚDIO AO TROTE RACISTA E SEXISTA NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG


A Humanidade, se fosse uma pessoa, envergonhar-se-ia de muita coisa de seu passado; passado este que contém muitos episódios verdadeiramente abjetos. Enquanto humanos, faríamos minucioso inventário moral de nós mesmos; enquanto partícipes do que convencionamos chamar 'Humanidade', relacionaríamos todos os grupos ou pessoas que por nossas ações e omissões prejudicamos e nos disporíamos a reparar os danos a eles causados.
Vigiaríamos a nós mesmos, o tempo todo, para que individualmente e enquanto grupo,  não repetíssemos nossos vergonhosos e documentados erros. Pais conscienciosos, ensinaríamos as novas gerações os novos e relevantes valores morais que tem de pautar nossas condutas, palavras e intenções.
Dois desses episódios, chagas profundas e fétidas de nosso passado humano,  são a escravidão e o nazismo. No primeiro, tratamos outros seres humanos como inferiores;  os açoitamos; os forçamos ao trabalho; os ridicularizamos (dizendo que eles eram feios, sujos, burros, seres humanos mal acabados e não evoluídos);  procuramos destruir seus laços com a terra amada, sua cultura, sua língua; dissemos que eles não tinham alma enfim. No segundo não era diferente; mesmas ações, alvos expandidos: pessoas negras, judeus, homossexuais. Todos tratados com o mesmo desrespeito.
O tempo passou e como as chagas permanessem, fizemos um meio-trabalho: criamos leis. Leis como a 7.716/89, que qualifica o crime de racismo e depois a Lei  9.459/97 (que inclui o parágrafo 1 no artigo 20 da já referida Lei 7.716/89, mencionando a fabricação e uso de símbolos nazistas). Infelizmente, nem mesmo a força da lei tem sido suficiente.
O  que vemos é, em toda parte, ressurgirem graves violações dos Direitos Humanos outrora perpetradoss. O que seria motivo de vergonha vem ganhando  espaços públicos, por meio de recursos custeados pelo Estado; um Estado que se auto declara 'Democrático de Direito'; um Estado que tem como fundamento a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (inciso III do artigo 1 da Constituição de 1988).
Sim, foi isso mesmo o que você leu: na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alunos do curso de Direito (sim, um curso cujo objetivo é formar profissionais que serão essenciais à Justiça e à defesa desse propalado Estado Democrático de Direito) fizeram um trote onde, sob a desculpa de fazer piada usaram saudações nazistas e representações racistas e sexistas.
A notícia, amplamente divulgada na mídia, vocês PODEM LER AQUI.
E isso logo após alunos de uma outra Universidade (também da USP, na cidade de São Carlos), agredirem manifestantes que criticavam um trote que vilipendiava a imagem feminina.
Todas essas condutas, perpetradas por alunos que deveriam estar recebendo instruções aptas a torná-los profissionais e cidadãos mais éticos (afinal, é para isso que todos os cursos contém em suas grades a matéria denominada 'Ética'), mostram que beiramos a um perigoso retrocesso no quesito 'Direitos Humanos'.
Sendo os Direitos Humanos imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis, invioláveis e universais, efetivos e interdependentes, não pode haver NENHUMA tolerância a qualquer ato ou gesto que os ameaçem.
E é por isso e também por tais atos (perpetrados nas três universidades citadas) constituirem verdadeiro incentivo à propagação de discursos preconceituosos e de ódio, é que os coletivos assinam a presente nota de repúdio, esperando que autoridades constituídas tomem as providências cabíveis para apenar exemplarmente os responsáveis. Leis para isso já existem; mas para que os direitos ganhem efetividade é preciso sua aplicação.
Esperamos também que as pessoas que lerem a presente também façam um reflexão sobre o rumo que nossa Sociedade está tomando. Não queremos o retrocesso. E se você compartilha conosco desse sentimento, dessa vontade de colaborar com a construção de uma Sociedade melhor, não se cale.
Nós somos negros; nós somos mulheres;  nós somos gays; nós somos lésbicas; nós somos transsexuais; somos nordestinos; adeptos de religiões minoritárias. Somos as minorias que diuturnamente temos de conviver com o menoscabo de nossas imagens; com atos que naturalizam a violência;  que criam verdadeira cisão entre Humanos; que reabrem as chagas e as fazem sangrar. E nós não vamos nos calar. O estandarte, escudo e espada emprestaremos da Themis, a deusa da justiça; usaremos a lei e  exigiremos o seu cumprimento.
Aos estudantes de Direito que fizeram uma tal 'brincadeira'repulsiva, lembramos:
'Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus'  -
Onde não existe justiça não pode haver direito.
Assinam o presente,

sábado, 12 de janeiro de 2013

30 livros em um mês - Dia 22 - O livro favorito que você teve que ler pra escola



Fim das festas, começo do ano após o ano novo. Já passou até o dia de Reis, a árvore foi desmontada (ou teria sido caso aqui houvesse alguma). Na casa da minha mãe, o presépio foi guardado, que lá é com isso que se lida. Retomada do meme dos livros: agora vai! Onde se lê "em um mês" leia-se "em um ano e alguns meses" (comecei em setembro de 2011). Tempo: esse deus fugidio (Chronos, sua bênção).

E... bom. Eu não tinha escrito ainda, mas já tinha olhado pra começar a pensar. Escrevo de uma vez, normalmente: mas rumino muito. Parece espontâneo, e de certa forma é. De outra, é tão revirado, testado, pensado, criado... tudo monólogos internos. Às vezes intensos, tipo discussão de um. De uma, no caso. 

E tô enrolando. E não sei bem que livro é esse. Já falei nesse meme de A Ilha das Borboletas Azuis, do Cony, e sobre outros que li para a escola, aqui . Também de "Le Lion", de Joseph Kessel, que eu amei e conheci através da escola. Não serão esses, pois. Não sei bem. Tem "Esaú e Jacó", um Machado de que só gostei porque li pra escola. Seria interessante fazer o paralelo com "A Leste do Eden", de Steinbeck, talvez. Histórias de irmãos. Castor e Pólux. Rômulo e Remo. Sylvinet e Landry, de "La Petite Fadette" - George Sand. Histórias de irmãos. Claro-escuro. Luz e sombra. Complementos. Opostos. O signo de Gêmeos.

Li "Vidas Secas" para a escola, e muito me impressionou. A secura do texto reproduzindo a aridez da terra. Das pessoas. Silêncios. Cortantes. A cachorra Baleia. Um livro áspero. Que dói.
Li também, em dupla - e talvez já tenha mencionado isso em outro post -, "O Pagador de Promessas" e "O Auto da Compadecida". Amei todos dois. O efeito colateral foi, evidentemente, que muita gente misturou os nomes dos personagens e, em vez de escreverem João Grilo e Zé do Burro, escreveram João Burro e Zé do Grilo. Ou algo similar. Mas né. O André Valente, que era meu professor de português na época, riu e desconsiderou o erro. Concentrou-se no que importava. O André Valente não ligava para filigranas: a tarefa dele era fazer a gente gostar de ler e de escrever, e isso ele fazia tão bem. Foi um bom ano pra literatura, o primeiro ano do 2° grau, ex-científico, atual ensino médio (e pra que tantos nomes, meu Deus).


Pra escola li também "Dez Dias Que Abalaram o Mundo". John Reed. Esse tá muito bem contado no post da Niara  - de quando ela fez o meme. Eu gostei imenso do livro também. Embora meu "Dez Dias" tenha sido bem diferente do da Niara: os livros são eles mesmos e o que a gente descobre neles, o que a gente guarda deles. O que a gente ouve. (eco do Karydakis citando alguém: "Les meilleurs livres sont ceux dont le lecteur fait lui-même la moitié". Os melhores livros são aqueles de que o leitor faz a metade. E não são todos?).

José de Alencar: "Senhora". Amor, desprezo, ambição, vingança. Tão aí os elementos. Sedução, sensualidade. Senhora. A mulher como dominadora. O homem rendido e suplicante. Um livro de que se fala pouco hoje em dia. Gostei tanto quando li. Gostei tanto de ter lido. E só li porque foi pra escola. Comento sobre ele e tenho vontade de ler de novo. Acho que nunca mais, depois da escola. E, quem sabe, esse povo todo em furor por conta dos tais "50 Tons de"...  ( que não li, como comentei aqui) devesse ler também: outra perspectiva, quem sabe.

Entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato: o senhor rei mandou dizer que contasse mais quatro.
Confesso: não tenho livro favorito de escola. Mas foi divertido fazer essas evocações. Que são como viagens: vou lá buscar as histórias. Volto pra contar um pouquinho. E, se alguém ler e se divertir, tô no lucro.



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Vou ali porque hoje é aniversário do pequeno. Do meu pequeno. Sobre quem não vou escrever. Pelo menos não hoje. 










terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Então é Natal

(pausa no meme dos livros pra comentar sobre o Natal. Depois volto!).


Natal. Em flashes.

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O Natal do primeiro ano na Europa: Chamrousse, muita neve. Sensação de estar "acima das nuvens". Tio Sylvio e tia Bel, Clarissa e Gui. Eu com a camisola nova e rosa que ganhei de mamãe. Uma árvore de Natal feita de fios dourados, na parede. Tudo novo. Tudo frio, nariz e bochechas gelados. Primeiras aulas de esqui. Gui e Clarissa: nossos guias. Um Natal quentinho de família, malgrado o frio lá fora. (obs: o "malgrado é homenagem a tio Sylvio, que usava a palavra. Poster no banheiro da casa dele: um vaso sanitário, com rosas dentro. E, na letra dele: "Mas como fede, malgrado as rosas!").

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Natal em Les Haudères: Natal de exilados e desgarrados. E os filhos: Claudia e Flávio; Zuza, Armando e Andréa. Daniel filho do Betinho (foi em Les Haudères que o conheci, levado por Marcos Arruda). Flávia e Joca que só participaram do Ano Novo, porque fizeram Natal-família em separado. Lysâneas fazendo fala ecumênica, num silêncio solidário e respeitoso. Jogos de mímica de filmes e livros: pela primeira vez. Adultos e crianças jogando juntos. Tem uns nomes que ali aprendi, sem conhecer o original: lembro de "Pai Patrão", de "O Salário do Medo". Esse o universo. E a gente fazia a mímica, pelas palavras. Dava certo e os times misturados (crianças e adultos) competiam de verdade. Cada vitória era comemorada como se não houvesse amanhã. Que talvez não houvesse.
Mais esqui. Esqui, sempre.



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O primeiro Natal da volta: na casa de Gilberto Freyre. Foi linda a intenção de tia Sônia, mas foi um Natal sofrido. Só eu e os irmãos, já que meus pais ainda tavam arrumando as caixas lá em Genebra. Me lembro de uma senhora perguntando "quem são esses?" e do frio que isso me deu no coração. Lembro da dor da saudade e do estranhamento completo, nesse Natal diferente de tudo. Natal de estrangeiro no Recife. Ainda era cedo demais.



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O Natal mais surreal de todos: o do ano em que John Lennon morreu. E sei que era esse o ano porque o "Então é Natal" com recitativo em português ocupava todas as trilhas sonoras. Invadia os ambientes mais reservados. E, no dia 24, meus pais ficaram no hospital. Meu avô tava lá e a gente já sabia que ele não ia sair. Vovô Lins, minha paixão. Eu brincava dizendo que tinha "complexo de pai de Édipo". Vovô Lins, taurino e briguento como eu: quando ele morreu, eu pensei "ninguém mais me entende nessa família". (desculpa, gente: mas eu pensei isso e até escrevi). Lembro do abraço apertado que papai me deu no hospital. Lembro de dizer a ele "só acaba quando acabou". Mas ele não tinha nenhuma esperança mais. A gente - eu e Marcelo, acho - passou a noite de Natal com amigos dos meus primos Paulinho e Elizabeth (primos Pimentel: não era o avô deles). Conversas surreais. Será que isso foi mesmo no dia 24? ou foi no 25, quando a gente já sabia que vovô tinha morrido?
Em todo caso, não consigo ouvir o John Lennon sem que a atmosfera daquele ano volte inteirinha. Intacta.

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Natal de 2004. O primeiro sem papai. Como é duro passar o Natal sem papai. Ainda mais o primeiro.
Mas continua. A ausência dele preenche saudades e abre vazios. Mesmo quando a gente nem fala disso.
Pai, um beijo.
E até amanhã.





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Natal-hoje/ontem. D. Helena - muita saudade. Seu Antônio: todo o carinho. Tia Sônia: no presente.
Os meninos tão crescendo lindos. Os cinco meninos e a única menina: netos dos meus pais. Felipe, João, Maria, Antônio, Chico, Joca. Na ordem. De dezoito a quatro anos. Lindos e amorosos. E é bom de ver a alegria que eles têm de estar juntos. De festejar juntos.
Viva. Viva. Viva.
Então é Natal, e alguma coisa certa a gente tá fazendo.

Amor a todos os envolvidos.


















sábado, 22 de dezembro de 2012

30 livros em um mês - Dia 21 — O melhor livro que você leu este ano




Esse, claro, é daqueles que não vou responder. Odeio ranking. Odeio "o melhor". Muito chapado; muito unidimensional. Tem tantas maneiras de ser melhor. Tantos livros que podem ser "o melhor" em alguma categoria. Faz pelo menos que nem escola de samba, pô! Bota quesito.

E porque falei de escola de samba, o livro de que vou falar - e que ainda tô lendo - é "Tantas Páginas Belas", do historiador Luiz Antônio Simas. Esse, pelo formato e pelo tema, tá na minha vida hoje como "livro de condução". Pequeno, formato de bolso. Tema e texto que descem redondos, gelados como uma boa cerveja em dia de calor (ainda não dá, tá cedo demais... mas já já...). Então é isso: o livro "mora" provisoriamente dentro da minha bolsa, e leio no ônibus, no metrô. Capítulos curtos, ajuda.

O livro trata da história da Portela - e eu tive o privilégio de fazer um minicurso com o Simas sobre a história do carnaval. Como disse André Diniz, que sabe do que tá falando: "ele entende tudo disso". E lendo o livro, cujo texto é tem uma simplicidade enganadora, dá até pra ouvir a voz do Simas falando de Oswaldo Cruz na década de 20 - "uma região extremamente pobre, sem água encanada, luz elétrica, calçamento" - , de Paulo da Portela (cujo apelido  é anterior à escola de que foi fundador), do delegado da Delegacia de Costumes que deu nome à agremiação por não aprovar o que existia ("Vai Como Pode"). 

Simas é um contador de histórias, um griot carioca da melhor qualidade - e da melhor cepa: descendente de nordestinos. ( :) ) Quando dá aula, usa o cavaquinho e a voz para pontuar com exemplos melódicos as histórias que conta: é um sarau, uma "aula-espetáculo" à moda de Ariano Suassuna. No livro, faltam o cavaquinho e a cerveja de depois: mas a gente sai mais feliz, mais sabida, mais encantada com o Rio e com seus rios de histórias.
Tantas páginas belas.





Fecho o livro a cada descida de metrô na Central, a cada ponto de ônibus em que tenho que saltar. Mas na minha cabeça, segue a trilha, na voz ensolarada de Paulinho da Viola: "se for falar da Portela, hoje eu não vou terminar".








segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

30 livros em um mês - dia 20 - O último livro que você leu




Segundo dia da retomada do meme dos livros. E agora é "o último livro que você leu".
Bom, eu agora estou lendo cinco livros (cinco de lazer, né, porque tem os "de trabalho(s)", que evidentemente não contam).  Então a pergunta se torna "o último livro que acabei".

Acabar um livro: uma dor. Que eu postergo ao máximo, quando gosto do livro. Foi assim com este. Confesso com certa vergonha: deixei três pagininhas por ler. Por meses. Olhava pra ele e pensava: "quase... mas ainda não". É uma maluquez, claro. Me deixa. Eu me apego.

O livro? Ah,  é. Nem disse ainda. O livro é "O nome da cousa", da Fal Azevedo. A Fal do Drops. Esse é especial: um livro customizado, um livro produzido único. Algo que começou a ser feito pela Marina W, com seu Caderno de Cinema (que eu tenho também, que amei e... precisa dizer? Inda faltam umas pagininhas...).
A Fal se inspirou e mandou ver, com preciosa ajuda da sua mãe, Maliu, nas ilustrações. Inda veio com marcador fofo, decorado e com frase do Mario Quintana - "Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada."

Tempo demais descrevendo as circunstâncias do livro? Não acho. Necessário dizer quão único ele é. Esse é meu. Foi feito pra mim e só pra mim, dialoga comigo, comenta... gente. Vocês nem sabem. Só de escrever isso meu coração esquenta. Tenho DOIS livros feitos só pra mim: o da Marina, o da Fal. Gente.



O livro da Fal é um caderno de anotações: lembranças, associações de idéias, pensamentos. Um diário ao qual a gente tem acesso. Um pouco como o blog, o Drops lincado lá em cima (quando falei no nome dela pela primeira vez, dá uma olhada). Tipo de livro que eu venero. Inda mais sendo da Fal, né. Porque aí é como se eu realizasse o sonho da minha irmã e "ouvisse" os pensamentos dela por um tempo. Em dois tempos: o do livro, o dos comentários. O livro é de 2006. Os comentários são de agora. Seis anos de diferença. Uma delícia de leitura. Como diz Rui Rezende - "publicitário, produtor e gato"-, que faz a orelha: "O Nome da Cousa causará espanto, caso seja esta sua primeira parada no Planeta Fal".
Causa espanto, causa encanto. Dá vontade de comprar um monte e distribuir pros amigos, à maneira de Marcos Lins - ele fez isso, por exemplo, com A Solidão do Cavaleiro no Horizonte . Dá vontade de que todo mundo que eu amo leia a Fal. Leia e se delicie. Leia e se enrede nos encantos dessa prosa tão enganadoramente fácil. Delícia de livro que é pra ler em voz alta. Que é pra contar pros filhos, quando eles já têm a idade certa pra entender. Ou talvez até na idade errada, sei lá.

Deixo um trechinho do Nome da Cousa, que é pra dar uma idéia:

"Vou pegar esse nada que sobrou de mim, esse corpinho de passeio alquebrado, e levá-lo pra comprar uma roupa nova, prum cinema e pro Masp. Que é pra Vida ver quem é que manda".

;)

Fal. The one and only.