segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pessoas inteligentes e supostamente bem informadas

Pessoas inteligentes e supostamente bem informadas. Supostamente (e esse é necessário, ao contrário de tantos outros).

Pessoas inteligentes, articuladas, mas que estão fora das redes sociais. Onde é que elas se informam? Nos jornais, ora. Jornais? No Rio hoje só tem um jornal. Um único jornal. Monopólio absoluto. E eles sabem. E manipulam. E mentem. E não noticiam. 
E é tudo feito para vender uma opinião específica. 
As manifestações? Incríveis, alegres, enormes, diversificadas e... só se noticiam as "depredações", os "vândalos".
Polícia? Violência? Pancadaria? Ninguém sabe, ninguém viu.
São vândalos, afinal. Vândalos que depredam o patrimônio.
Prisões arbitrárias, sem sentido, de gente que nem se conhece, por "formação de quadrilha"? Não, a notícia é que "vândalos" foram presos.
"Vândalos" é o novo pretinho básico. Pretinho black bloc básico.
Black blocs aplaudidos pelos professores, apoiando as manifestações?
Ninguém sabe, ninguém viu. Muito menos a nossa monolítica imprensa.

Mas quando um coronel é agredido em São Paulo, ah, aí é diferente.

E o Rafael, catador, que continua preso por porte de Pinho sol desde 20 de junho?
E o Baiano, preso na manifestação de 15 de outubro junto com tantos outros "vândalos"?
E a manifestação na escadaria do IFICS, onde os meninos liberados relataram as violências sofridas, onde a instituição tomou posição contra a violência da polícia, contra as arbitrariedades, contra a democracia ameaçada, quem cobriu?
Quem?
E a manifestação da semana passada, as pessoas andando em silêncio pela Rio Branco, todo mundo junto, calado, caminhando pelo estado de Direito e contra as prisões que se mantém?

Quem cobriu?

Não teve violência? Não teve "vândalos"? Ah, não interessou à imprensa. Imprensa? Não interessou a nosso único jornal. A nossa (quase) única rede de TV.

Aí, sinto muito: pessoas inteligentes, articuladas, não dá nem pra começar a conversar. Não dá pra conversar com base na descobertura do monolito.
Informem-se primeiro.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A semântica do reacionarismo a partir de um editorial do Globo



 (aquele que pediu desculpas por ter apoiado a ditadura, mas pelo visto era só estratégia de márquetchin)

cenas de banditismo.
lamentáveis provocações. 
grupos de arruaceiros. 
vandalismo. 
demonstrações de barbarismo juvenil. 
violência pela violência. 
criminalidade.
ameaças ao estado de direito e à democracia.
vândalos. 
baderneiros.
táticas de provocação.
perfil dos arruaceiros.
depredações.

falanges anarquistas. 
grupos de mascarados. 

tráfico. 
problema do vandalismo.

cenas de violência.
black blocs.
quebra-quebra.
ação dos vândalos. 
arruaceiros de rosto coberto.
paramentados para o confronto. 
pânico.
horda.
Lei de Segurança Nacional. 
demonstrações de incivilidades. 
manifestações (...) hospedeiras de vândalos.
grupos antidemocráticos. 

E a última frase vai completa:

"É preciso evitar as faíscas para não alimentar incêndios."

(obrigada à Maria de Paula por ter me apontado essa pérola do cancioneiro reaça nacional, que não deve nada aos editoriais de outros tempos de exceção.)

sábado, 28 de setembro de 2013

Um fio de Ariadne



Leio "farfalla".
Só isso.
E é imediato.
Vem a música inteira.
A sala na penumbra.
O estômago apertado.
As mãos geladas.
A dificuldade de respirar.
E ele. Ele, claro.

- sempre teve um "ele -
A primeira música lenta
("le premier slow")
a gente não esquece.
E volta, assim,

inteirinha, 
pelas asas de uma farfalla à toa.









quinta-feira, 4 de abril de 2013

O que não se diz



É uma lembrança de filme. Um filme que entremeia depoimentos de mulheres presas e torturadas durante a ditadura, com uma personagem (vivida pela Irene Ravache) cujas falas também são tiradas de depoimentos reais. Da Lucia Murat: "Que bom te ver viva".

Tem certo momento em que a personagem da Irene Ravache fala do desconforto dos amigos, após um primeiro momento de alegria e alívio, do "que bom te ver viva".  Mas aí vem o desconforto.Desse assunto estar tão aí, tão presente. Tem uma vontade, ali na beirada, de dizer "pronto, passou, acabou". E mudar de assunto. Porque essa dor, essas feridas, o que ficou, é incômodo também. A gente gostaria de poder virar a página, de poder voltar ao que era antes, de apagar aquilo. E o assunto continua ali, presente. 

Tão mais presente que acabou, mas não acabou. Sem encerramento, sem fechamento. Só um "pronto, passou". E aí? O que fazer com aquilo tudo tão presente, tão ali, enquanto todo mundo continua com a vida? 

Pesada demais. Com histórias demais. Deprimida demais. Por que não deixar passar, viver a vida, se tornar mais leve, aproveitar o momento, carpe diem e tudo isso? A vida é agora, a hora é essa, o futuro te espera. E no entanto.
Ainda. Continua. Tá ali. Não vai embora. Não se dissolve, não se apaga, não desaparece. 


Que deselegante. 
Que desagradável. 
Que incômodo. 
Para com isso. 
Larga isso. 
Pra que voltar a falar nisso?
 Lá vem você de novo. 
Agora não é hora.
 Pensa em outra coisa, vai. 

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Este post foi escrito para a VII Blogagem coletiva #DesarquivandoBR


terça-feira, 19 de março de 2013

NOTA DE REPÚDIO AO TROTE RACISTA E SEXISTA NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG


A Humanidade, se fosse uma pessoa, envergonhar-se-ia de muita coisa de seu passado; passado este que contém muitos episódios verdadeiramente abjetos. Enquanto humanos, faríamos minucioso inventário moral de nós mesmos; enquanto partícipes do que convencionamos chamar 'Humanidade', relacionaríamos todos os grupos ou pessoas que por nossas ações e omissões prejudicamos e nos disporíamos a reparar os danos a eles causados.
Vigiaríamos a nós mesmos, o tempo todo, para que individualmente e enquanto grupo,  não repetíssemos nossos vergonhosos e documentados erros. Pais conscienciosos, ensinaríamos as novas gerações os novos e relevantes valores morais que tem de pautar nossas condutas, palavras e intenções.
Dois desses episódios, chagas profundas e fétidas de nosso passado humano,  são a escravidão e o nazismo. No primeiro, tratamos outros seres humanos como inferiores;  os açoitamos; os forçamos ao trabalho; os ridicularizamos (dizendo que eles eram feios, sujos, burros, seres humanos mal acabados e não evoluídos);  procuramos destruir seus laços com a terra amada, sua cultura, sua língua; dissemos que eles não tinham alma enfim. No segundo não era diferente; mesmas ações, alvos expandidos: pessoas negras, judeus, homossexuais. Todos tratados com o mesmo desrespeito.
O tempo passou e como as chagas permanessem, fizemos um meio-trabalho: criamos leis. Leis como a 7.716/89, que qualifica o crime de racismo e depois a Lei  9.459/97 (que inclui o parágrafo 1 no artigo 20 da já referida Lei 7.716/89, mencionando a fabricação e uso de símbolos nazistas). Infelizmente, nem mesmo a força da lei tem sido suficiente.
O  que vemos é, em toda parte, ressurgirem graves violações dos Direitos Humanos outrora perpetradoss. O que seria motivo de vergonha vem ganhando  espaços públicos, por meio de recursos custeados pelo Estado; um Estado que se auto declara 'Democrático de Direito'; um Estado que tem como fundamento a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (inciso III do artigo 1 da Constituição de 1988).
Sim, foi isso mesmo o que você leu: na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alunos do curso de Direito (sim, um curso cujo objetivo é formar profissionais que serão essenciais à Justiça e à defesa desse propalado Estado Democrático de Direito) fizeram um trote onde, sob a desculpa de fazer piada usaram saudações nazistas e representações racistas e sexistas.
A notícia, amplamente divulgada na mídia, vocês PODEM LER AQUI.
E isso logo após alunos de uma outra Universidade (também da USP, na cidade de São Carlos), agredirem manifestantes que criticavam um trote que vilipendiava a imagem feminina.
Todas essas condutas, perpetradas por alunos que deveriam estar recebendo instruções aptas a torná-los profissionais e cidadãos mais éticos (afinal, é para isso que todos os cursos contém em suas grades a matéria denominada 'Ética'), mostram que beiramos a um perigoso retrocesso no quesito 'Direitos Humanos'.
Sendo os Direitos Humanos imprescritíveis, inalienáveis, irrenunciáveis, invioláveis e universais, efetivos e interdependentes, não pode haver NENHUMA tolerância a qualquer ato ou gesto que os ameaçem.
E é por isso e também por tais atos (perpetrados nas três universidades citadas) constituirem verdadeiro incentivo à propagação de discursos preconceituosos e de ódio, é que os coletivos assinam a presente nota de repúdio, esperando que autoridades constituídas tomem as providências cabíveis para apenar exemplarmente os responsáveis. Leis para isso já existem; mas para que os direitos ganhem efetividade é preciso sua aplicação.
Esperamos também que as pessoas que lerem a presente também façam um reflexão sobre o rumo que nossa Sociedade está tomando. Não queremos o retrocesso. E se você compartilha conosco desse sentimento, dessa vontade de colaborar com a construção de uma Sociedade melhor, não se cale.
Nós somos negros; nós somos mulheres;  nós somos gays; nós somos lésbicas; nós somos transsexuais; somos nordestinos; adeptos de religiões minoritárias. Somos as minorias que diuturnamente temos de conviver com o menoscabo de nossas imagens; com atos que naturalizam a violência;  que criam verdadeira cisão entre Humanos; que reabrem as chagas e as fazem sangrar. E nós não vamos nos calar. O estandarte, escudo e espada emprestaremos da Themis, a deusa da justiça; usaremos a lei e  exigiremos o seu cumprimento.
Aos estudantes de Direito que fizeram uma tal 'brincadeira'repulsiva, lembramos:
'Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus'  -
Onde não existe justiça não pode haver direito.
Assinam o presente,

sábado, 12 de janeiro de 2013

30 livros em um mês - Dia 22 - O livro favorito que você teve que ler pra escola



Fim das festas, começo do ano após o ano novo. Já passou até o dia de Reis, a árvore foi desmontada (ou teria sido caso aqui houvesse alguma). Na casa da minha mãe, o presépio foi guardado, que lá é com isso que se lida. Retomada do meme dos livros: agora vai! Onde se lê "em um mês" leia-se "em um ano e alguns meses" (comecei em setembro de 2011). Tempo: esse deus fugidio (Chronos, sua bênção).

E... bom. Eu não tinha escrito ainda, mas já tinha olhado pra começar a pensar. Escrevo de uma vez, normalmente: mas rumino muito. Parece espontâneo, e de certa forma é. De outra, é tão revirado, testado, pensado, criado... tudo monólogos internos. Às vezes intensos, tipo discussão de um. De uma, no caso. 

E tô enrolando. E não sei bem que livro é esse. Já falei nesse meme de A Ilha das Borboletas Azuis, do Cony, e sobre outros que li para a escola, aqui . Também de "Le Lion", de Joseph Kessel, que eu amei e conheci através da escola. Não serão esses, pois. Não sei bem. Tem "Esaú e Jacó", um Machado de que só gostei porque li pra escola. Seria interessante fazer o paralelo com "A Leste do Eden", de Steinbeck, talvez. Histórias de irmãos. Castor e Pólux. Rômulo e Remo. Sylvinet e Landry, de "La Petite Fadette" - George Sand. Histórias de irmãos. Claro-escuro. Luz e sombra. Complementos. Opostos. O signo de Gêmeos.

Li "Vidas Secas" para a escola, e muito me impressionou. A secura do texto reproduzindo a aridez da terra. Das pessoas. Silêncios. Cortantes. A cachorra Baleia. Um livro áspero. Que dói.
Li também, em dupla - e talvez já tenha mencionado isso em outro post -, "O Pagador de Promessas" e "O Auto da Compadecida". Amei todos dois. O efeito colateral foi, evidentemente, que muita gente misturou os nomes dos personagens e, em vez de escreverem João Grilo e Zé do Burro, escreveram João Burro e Zé do Grilo. Ou algo similar. Mas né. O André Valente, que era meu professor de português na época, riu e desconsiderou o erro. Concentrou-se no que importava. O André Valente não ligava para filigranas: a tarefa dele era fazer a gente gostar de ler e de escrever, e isso ele fazia tão bem. Foi um bom ano pra literatura, o primeiro ano do 2° grau, ex-científico, atual ensino médio (e pra que tantos nomes, meu Deus).


Pra escola li também "Dez Dias Que Abalaram o Mundo". John Reed. Esse tá muito bem contado no post da Niara  - de quando ela fez o meme. Eu gostei imenso do livro também. Embora meu "Dez Dias" tenha sido bem diferente do da Niara: os livros são eles mesmos e o que a gente descobre neles, o que a gente guarda deles. O que a gente ouve. (eco do Karydakis citando alguém: "Les meilleurs livres sont ceux dont le lecteur fait lui-même la moitié". Os melhores livros são aqueles de que o leitor faz a metade. E não são todos?).

José de Alencar: "Senhora". Amor, desprezo, ambição, vingança. Tão aí os elementos. Sedução, sensualidade. Senhora. A mulher como dominadora. O homem rendido e suplicante. Um livro de que se fala pouco hoje em dia. Gostei tanto quando li. Gostei tanto de ter lido. E só li porque foi pra escola. Comento sobre ele e tenho vontade de ler de novo. Acho que nunca mais, depois da escola. E, quem sabe, esse povo todo em furor por conta dos tais "50 Tons de"...  ( que não li, como comentei aqui) devesse ler também: outra perspectiva, quem sabe.

Entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato: o senhor rei mandou dizer que contasse mais quatro.
Confesso: não tenho livro favorito de escola. Mas foi divertido fazer essas evocações. Que são como viagens: vou lá buscar as histórias. Volto pra contar um pouquinho. E, se alguém ler e se divertir, tô no lucro.



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Vou ali porque hoje é aniversário do pequeno. Do meu pequeno. Sobre quem não vou escrever. Pelo menos não hoje. 










terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Então é Natal

(pausa no meme dos livros pra comentar sobre o Natal. Depois volto!).


Natal. Em flashes.

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O Natal do primeiro ano na Europa: Chamrousse, muita neve. Sensação de estar "acima das nuvens". Tio Sylvio e tia Bel, Clarissa e Gui. Eu com a camisola nova e rosa que ganhei de mamãe. Uma árvore de Natal feita de fios dourados, na parede. Tudo novo. Tudo frio, nariz e bochechas gelados. Primeiras aulas de esqui. Gui e Clarissa: nossos guias. Um Natal quentinho de família, malgrado o frio lá fora. (obs: o "malgrado é homenagem a tio Sylvio, que usava a palavra. Poster no banheiro da casa dele: um vaso sanitário, com rosas dentro. E, na letra dele: "Mas como fede, malgrado as rosas!").

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Natal em Les Haudères: Natal de exilados e desgarrados. E os filhos: Claudia e Flávio; Zuza, Armando e Andréa. Daniel filho do Betinho (foi em Les Haudères que o conheci, levado por Marcos Arruda). Flávia e Joca que só participaram do Ano Novo, porque fizeram Natal-família em separado. Lysâneas fazendo fala ecumênica, num silêncio solidário e respeitoso. Jogos de mímica de filmes e livros: pela primeira vez. Adultos e crianças jogando juntos. Tem uns nomes que ali aprendi, sem conhecer o original: lembro de "Pai Patrão", de "O Salário do Medo". Esse o universo. E a gente fazia a mímica, pelas palavras. Dava certo e os times misturados (crianças e adultos) competiam de verdade. Cada vitória era comemorada como se não houvesse amanhã. Que talvez não houvesse.
Mais esqui. Esqui, sempre.



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O primeiro Natal da volta: na casa de Gilberto Freyre. Foi linda a intenção de tia Sônia, mas foi um Natal sofrido. Só eu e os irmãos, já que meus pais ainda tavam arrumando as caixas lá em Genebra. Me lembro de uma senhora perguntando "quem são esses?" e do frio que isso me deu no coração. Lembro da dor da saudade e do estranhamento completo, nesse Natal diferente de tudo. Natal de estrangeiro no Recife. Ainda era cedo demais.



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O Natal mais surreal de todos: o do ano em que John Lennon morreu. E sei que era esse o ano porque o "Então é Natal" com recitativo em português ocupava todas as trilhas sonoras. Invadia os ambientes mais reservados. E, no dia 24, meus pais ficaram no hospital. Meu avô tava lá e a gente já sabia que ele não ia sair. Vovô Lins, minha paixão. Eu brincava dizendo que tinha "complexo de pai de Édipo". Vovô Lins, taurino e briguento como eu: quando ele morreu, eu pensei "ninguém mais me entende nessa família". (desculpa, gente: mas eu pensei isso e até escrevi). Lembro do abraço apertado que papai me deu no hospital. Lembro de dizer a ele "só acaba quando acabou". Mas ele não tinha nenhuma esperança mais. A gente - eu e Marcelo, acho - passou a noite de Natal com amigos dos meus primos Paulinho e Elizabeth (primos Pimentel: não era o avô deles). Conversas surreais. Será que isso foi mesmo no dia 24? ou foi no 25, quando a gente já sabia que vovô tinha morrido?
Em todo caso, não consigo ouvir o John Lennon sem que a atmosfera daquele ano volte inteirinha. Intacta.

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Natal de 2004. O primeiro sem papai. Como é duro passar o Natal sem papai. Ainda mais o primeiro.
Mas continua. A ausência dele preenche saudades e abre vazios. Mesmo quando a gente nem fala disso.
Pai, um beijo.
E até amanhã.





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Natal-hoje/ontem. D. Helena - muita saudade. Seu Antônio: todo o carinho. Tia Sônia: no presente.
Os meninos tão crescendo lindos. Os cinco meninos e a única menina: netos dos meus pais. Felipe, João, Maria, Antônio, Chico, Joca. Na ordem. De dezoito a quatro anos. Lindos e amorosos. E é bom de ver a alegria que eles têm de estar juntos. De festejar juntos.
Viva. Viva. Viva.
Então é Natal, e alguma coisa certa a gente tá fazendo.

Amor a todos os envolvidos.