domingo, 12 de junho de 2016

As Mesmas Pessoas e Uma Nova História

Namorados... é em junho o dia. É hoje. Combina, acho. Fogueira. Friozinho. Bochechas afogueadas de dançar quadrilha. Maçã do amor. Comidinhas de milho. Tudo combina.

Eu gosto. Acho bonitinho. Gosto da ideia de Santo Antônio....  casamenteiro. Gosto de casamentos. Mesmo que não sejam oficiais. Mesmo que não tenha igreja. Cartório. É dos encontros que eu gosto, na real.

Tava lendo outro dia sobre o reencontro da Vanessa Redgrave com o Franco Nero. Coisa mais linda. Se encontraram em "Camelot" - o filme, não o lugar -, ela Guinevere, ele Lancelot: namoraram, tiveram um filho.... se separaram. Aí, várias décadas depois, se reencontraram.

Mesma história? Acho que não. Outra história, com algum sabor conhecido. Deram voltas na espiral do tempo, fizeram caminho. Encontraram outras pessoas. Verdadeiros encontros, não disfarces do "verdadeiro amor".

Tenho um amigo que fez esse caminho também. Depois de vários namoros e casamentos, reencontrou a primeira namorada: e parece que estão muito felizes. Eu o conheci no meio do caminho, e nunca tinha ouvido falar da primeira. Ele era inteiro, então. Paixões inteiras, histórias reais. Casamento, separação, outro casamento.

Agora, reencontrou a primeira namorada: todo o resto foi mentira? Aquele era o verdadeiro, o único, o do destino? Nem sei o que ele acha, ou ela. Mas tenho certeza que muita gente há de dizer isso. Como nos filmes. Como nos romances. O único, o verdadeiro, o predestinado.

Não acredito mesmo. Parece, porém, que o encontro foi gostoso. Está sendo. E, claro, deve ter uma graça em saber de histórias antigas, em lembrar de outras. Em reconhecer um jeito de olhar, um sorriso de canto, os movimentos das mãos. Acredito, sim, que afeto fica e pode ser pra toda vida. Mas não apaga outros amores, não abafa, não desfaz. Aquele tava lá, e podia  ter virado uma lembrança bonita. Aconteceu deles se reencontrarem, de estarem no tempo certo, disponíveis, interessados. Podia não ter acontecido. Um passo aqui, outro passo lá... a coreografia vai se fazendo a cada instante. O desenho completo, a gente só vê depois.

A Vanessa Redgrave e o Franco Nero fizeram um filme juntos que meio que conta essa história de amor perdido e reencontrado: um filme bonitinho e leve, chamado "Cartas Para Julieta". Gostoso de ver, esquecível toda vida. Não consigo deixar de pensar no quanto eles devem ter se divertido nas filmagens....












quarta-feira, 8 de junho de 2016

A primeira vez sem ele

Ela tá indo pra lá e me dá um aperto no peito, como se fosse eu. Ela não foi quando ele se foi, e eu entendi. Não deu. Acho que no lugar dela era capaz de eu não ir também. Ou não. Talvez fosse, pelos abraços. Pelo chorar junto. Já descobri que pra mim é importante o chorar junto. O não precisar explicar, não precisar dizer. Mas ela queria ficar quieta, no canto, e eu entendi.

Agora, vai. Porque lá é seu lugar também, e continua sendo. Porque ele continua lá também, mesmo não estando. Tem a história, a vida vivida, as lembranças dela, deles, de todo mundo que conviveu com ele e que o amou. E olha, era muita gente. Muita gente que o amava e que via que ele não tava bem. Embora não visse tanto. Ele saía, ele conversava, ele ria com a gente: então, como saber o tamanho do frio, a imensidão do escuro, a profundeza do abismo? Não dava. E se desse, não dá pra saber se daria pra ter feito algo.

Talvez não. Porque ficar é escolha. Ir é escolha. Acabei de ler um romance, leve, que trata disso: da escolha e do respeito à escolha. E me lembro, de novo, daquela conversa com tio Sylvio, em que ele me dizia que a gente sempre está sozinho, quando se joga na água gelada; a gente tá sozinho enquanto nada, e o que pode esperar é que tenha alguém com uma toalha felpuda aguardando na margem.
E isso não é certo.
O que é certo é que na água a gente está só.

Meu coração vai com ela. Minha saudade, meus abraços. Meus agradecimentos pela vida vivida. Pela bicicleta emprestada, pelas guerras de travesseiro, pelas brincadeiras, pelas risadas tantas. Pela encheção de saco, pelas discussões intermináveis. Pelo frio na barriga às vezes. Pela dança junto. Pelo olhar de lado.
Valeu, mermão.
A gente se encontra lá.
Por enquanto, mando meu coração com ela.

Com orgulho e com saudade.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Meu avô e John Lennon

Meu avô morreu no dia 25 de dezembro, no mesmo ano que o John Lennon. Meu avô. Cara. Eu, em certa época, dizia que tinha "complexo de Laio" e não complexo de Édipo, porque meu avô. Meu avô que lia comigo. Meu avô que deitava na rede e me contava histórias e compartilhava sonhos. Que desembaraçava o cabelo comprido e fino da minha irmã, e me ensinava. Que passeava, que nadava, que dançava, que contava piada como ninguém. 
Meu avô que era uma casa, uma fortaleza. Um esteio. Um aconchego. O abraço do meu avô. A gargalhada do meu avô. Meu avô olhando a placa de Euclides (seu homônimo) na Grécia, e dizendo à minha avó: "Vamos lá, Maria. Vamos fazer de conta que estamos entendendo". E tem essa foto, deles olhando pra placa "com cara de que estavam lendo". 
Meu avô comemorando as vitórias, cada uma. Violão? Olha que incrível. Esqui? Olha que fantástico. Ah, não deu dessa vez? Mas dará na próxima. É você. Não pode dar errado. Pode demorar um pouco mais, acaba dando certo. 
Meu avô na Argélia, conversando (sabe-se lá em que língua) com o garçom gentil do hotel, aquele que escreveu meu nome em árabe num guardanapo que eu guardei um tempão. Meu avô sentado na beira da piscina lendo Neruda em voz alta. Meu avô que não completou o ensino fundamental, meu avô que morou na favela, que tinha as costelas tortas de ter carregado peso no cais do porto quando era adolescente. 
Meu avô que amava passarinhos. E relógios. Que amava minha avó, que amava o mar.
Meu avô que era meu.
Ele morreu no dia 25 de dezembro, nasceu num 25 de abril.
Meu avô brigão, como eu. Meu parceiro. Me lembro de ter escrito, quando ele morreu: "ninguém mais vai me entender nessa família". Na família dos educados que é a minha. Em que ninguém destempera ou fala alto. Era meu avô e eu. Sobrei eu. 
E pra vocês verem.
Ele morreu no mesmo ano que John Lennon.
E eu tô aqui ouvindo John Lennon.
Escrevendo.
Chorando.


Eu, meu avô, Marcelo. Na Saint-Laurent.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Aos sete anos, eu ganhei uma vida nova


Esse é pra complementar o outro. Porque ficou parecendo. Porque a vida é chiaroscuro. É um lado e outro. É dor e delícia. E assim foi.
Perdi tudo, ganhei tudo. 


Renata até os sete: carioca, pernambucana, férias lá, vida cá, escola, piscina sempre que dava, a galera do prédio, Ana Paula minha melhor amiga; Recife, medir os cabelos com Elizabeth pra ver o de quem tava maior, ser a contramestra em pastoril dos primos, inventar histórias e peças, a casa do meu avô e todas as suas maravilhas, o quintal que a gente explorava, minha caneca de pastora junto com todas as canecas dos primos, que me dava a sensação de pertencimento...

Renata depois dos sete: o aprendizado das estações - chegamos na primavera e escurecia depois das oito, fomos pra colônia de férias no verão com os primos "franceses" Clarissa e Gui, começamos a escola no outono - "la rentrée", se chamava. Uma escola antiga, pesada, fria, com um pátio enorme, que tinha uma parte coberta. Uma professora antiga, Mme. Berger, que aos meus olhos de brasileirinha parecia muito severa (mas nem era tanto). Jean-Claude, o menino do lado do qual ela me botou, pra que ele me ajudasse no começo. Nosso apê da XXXI décembre, do qual dava pra ver o jet d'eau no fim da rua. Patins. O lago. Minha sala com o nome das montanhas em volta - La Dôle, le Mont Blanc, la Jungfrau e não lembro o último - indicando os pontos cardeais. 

Uma saudade funda, tão funda. Da vida, dos primos, do Recife, do Rio. Mas tanta coisa pra ver todo dia. A Vieille Ville e a biblioteca: paraíso. Aquela loja de brinquedos de madeira, com um Pinóquio na vitrine. Os Jouets Weber, andares e andares só de brinquedos: olha que maravilha. Os chocolates, o relógio de flores. Os brasileiros que já tavam lá: Claudius e Jo (e Claudia e Flávio, claro) no apê da frente, Paulo Freire e Elza, com os filhos mais novos - Joaquim foi meu primeiro professor de violão clássico. Como sofreu o pobre. 

A Escalade no dia 12 de dezembro, lembrando a invasão de Genebra pelos savoyards: "Ainsi périssent les ennemis de la république!". E os caldeirões de chocolate com legumes de marzipan, pra lembrar a Mère Royaume que despejou sopa quente na cabeça de dois dos invasores. Os parques: o Des Eaux-Vives e o De La Grange, um do lado do outro, que minha mãe chamava (claro) de Jardim Botânico e Parque Lage. O Álvaro, o colega brasileiro, que virou tão amigo.

A neve. O Natal na neve. As músicas tradicionais. As férias de neve, no período de Natal e Ano Novo. Na montanha. Chamrousse, nesse primeiro ano. Esqui, pela primeira vez. Cinema na cidadezinha, waffles (gaufres), piscina aquecida.

Era só pra dizer. Tem aquilo, mas também tem isso.
Não dá pra não lembrar. É tudo junto. Foi duro, foi precioso.
Como quase tudo.




O primeiro outono

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Ela é a Princesa da Ervilha

A história da princesa da ervilha (de H.C. Andersen) é uma dessas que me pegou pela incompreensão. E pelo absurdo. Eu não entendia direito aquilo, a moça chegando molhada no castelo alheio e dizendo que era uma princesa, a pilha de colchões e de cobertores em cima da qual dormiu - um teste para saber se ela era realmente uma princesa, como dizia - , o dia seguinte com o ombro roxo e a constatação: se tinha sentido a ervilha com aquilo tudo por cima, não havia dúvidas, era mesmo uma princesa. Minha taurinidade criança achava tudo estranho, embora engraçado. Claro que ela não podia ter sentido a ervilha com uma pilha de coisas daquele tamanho. Ora. E como era isso mesmo de pele de princesa? 

Depois eu comecei a achar essa história errada. Elitista. O que é isso, meu senhor, o sr. está mesmo dizendo que a pele das princesas é tão fina, tão sensível, que ela teria sentido a ervilha embaixo daquela montanha de colchões e colchas? Que elitismo. Que vergonha. E eeeeu/ gostava tanto de vocêêê..... 

Por fim é que me dei conta: era ironia. Claro. Óbvio. Ululante. Mané-eu. Como não tinha me dado conta. O plebeu Andersen fazendo chacota das classes dominantes, como tantas vezes. E eu tinha caído. Como tanta gente, imagino. Mas a vantagem da minha cabeça teimosa é continuar minhocando: às vezes dá certo e aparecem novas formas de ver. Fiquei feliz, porque afinal sempre tinha gostado daquela história. Curtinha e engraçada. Podia gostar sem culpa: Andersen continuava mandando bem.

Mas isso tudo é pra falar dela. Ela, a princesa. Ela nem sabe, e nem eu sabia até ontem, quando essa imagem me veio. Mas é ela mesma. Doce e delicada. Gentil e cuidadosa. Atenta aos outros. Generosa. E nada disso impede que tenha senso de humor: é também uma das pessoas mais engraçadas que conheço. Só que a sensibilidade é essa, à flor da pele, à flor da alma. Mesmo com todas as peles, as colchas, os colchões por cima, ela sente a ervilha. Ela se magoa. Se fecha em concha. Em copas. Em silêncios. Em cílios.

Não dirá, é claro: não ficaria nem bem. O que faz com que você, viajante desavisado, é que tenha que perceber. Olha a responsa. Olha a dificuldade. Pra mim, elefanta, obelixa, desajeitada e desastrada, dificuldade ainda maior: quando vejo já falei, quando me dou conta já foi, e aí já era. Babau.

Por isso é que me alegro tanto dela me considerar amiga. De poder estar em sua companhia por aqui ou por lá, ouvir suas histórias de quando era atriz e trabalhou no Hair, dar palpite nesse ou naquele texto, rir junto até ficar sem fôlego. Às vezes cá e lá. Que tanto faz. Não entendo muito, mas agradeço de verdade. Uma alegria de todo dia ser amiga da Princesa. Uma alegria, um presente da vida. Não sei o que fiz pra merecer, mas agradeço.

(Sorrisos. De leve.)




Com sete anos eu perdi tudo

Eu brinquei lá, junto com todo mundo. E contei o que eu tinha com sete anos. Uma bicicleta, uns livros do Monteiro Lobato, e outras coisinhas.

Mas, no fundo da minha cabeça, estava aquilo: eu tinha e logo depois não tinha mais. Eu tinha com sete anos, e com sete anos e meio perdi. Minha casa, o quarto dos brinquedos, minha bicicleta, as bonecas de que eu gostava, a bicama laranja em que eu dormia com meu irmão, o colégio e os amigos, as férias no Recife e os primos. Tudo.

Quando eu tinha sete anos e meio, a minha tia estava presa e eu não sabia. A polícia bateu na minha casa e eu só soube bem depois. O que eu soube foi que as férias de verão não acabavam nunca, que as aulas dos meus primos iam começar e a gente ainda não tinha voltado pra casa. E um dia, quando eu já estava achando tudo aquilo bem estranho, a minha mãe chegou. Era ela, mas diferente: em vez do cabelão preto, um cabelo curto, com mechas. E dali a gente iria embora. Do Recife mesmo, com a mala das férias.

Quando eu tinha sete anos e meio, eu tinha coisas. Uma casa. Amigos. O cabelo comprido. E depois não tive mais.
De tudo, o que eu senti mais falta foram os álbuns: um meu, um de Marcelo. Aqueles álbuns com fotos de bebê.  Eu tinha, e não tive mais.

O ano em que completei oito anos: o ano da virada. Da tempestade. Da grande viagem. Do tudo a ser começado do zero. Uma vida que eu nunca tinha imaginado. Tudo. Nada. Sete anos e uns meses.


domingo, 29 de maio de 2016

Outro Fio de Ariadne






Ela me pediu amizade no feicebuque e eu fui verificar os amigos em comum: se não tiver uma quantidade de amigos em comum, se eu não entender por que a pessoa me adicionou, não rola. Bom, não tinha muitos, mas tinha foco - o colégio. Alguém do colégio, pois. Olhei melhor: a foto me lembrava algo, o nome me lembrava algo.

Aí de repente eu situei. Era aquela menina. Aquela com quem você namorou. Ela tinha te dado uma foto do book dela, você me mostrou e ali é que eu aprendi o que era book. Eu era tão apaixonada por você que doía. Mas você nem tinha ideia. E talvez fosse melhor assim - eu não ia saber o que fazer se você tivesse ideia.

Eu preferia ser amiga e deixar doer. Eu preferia sentir a dor lá no fundo toda vez que os olhos verdes brilhantes, de gato, olhavam pra mim com um sorriso brincando no fundo. Aquela piscadela sem compromisso, na passagem, pra cumprimentar. A voz com sotaque de lá. O jeito tão seguro, aquele jeito de quem sabe que nasceu pra ser dono do mundo. 

Enquanto eu, nada. Eu tava meio que reaprendendo a andar, a falar. Aprendendo os códigos e as gírias. Fazendo errado tantas vezes por não saber. Eu era bicho do mato, gente-em-carne-viva. E tinha me apaixonado por você no primeiro dia. Quando você falou pela primeira vez. Acho que foi na aula do Armando, de português. Ele perguntava o que as pessoas queriam ser quando crescessem. A gente só tinha 13 anos e eu não tinha a menor ideia do que queria ser. Fiquei calada, pois. Mas você respondeu: "quero ser jornalista". Pra contar sobre o mundo, pra tentar mudar as coisas pelas palavras. Eu achei tão engraçado. Nunca tinha pensado que alguém podia querer ser jornalista. Mas me encantei com a voz, com o sotaque, com os olhos de gato, com as ideias que me desafiavam a pensar diferente. Um dia, eu quase quis ser jornalista também.

Você acabou sendo ator, e eu economista: imagina, economista. Nessa altura do campeonato, acho que nem imaginava existir tal profissão. Foi depois, já perto do final. Quando eu comecei a namorar aquele moço que estudava economia. Ele estudava mas nem gostava tanto: queria ser diplomata, achava que ajudaria na prova do Rio Branco. Eu continuava a não saber o que eu queria, mas tinha lá minhas questões. Não queria fazer curso "de mulher". E Letras, na minha cabeça, era definitivamente um curso de mulher. Pensava em História, talvez, mas fui ao IFCS e achei meio sombrio demais. Se eu fosse sincera comigo mesma, poderia ter gostado de estudar Matemática. Só que isso exigiria uma maturidade absolutamente inexistente. Matemática, definitivamente, não era cool. Não era bem-visto naquele colégio de artistas e cientistas políticos. 

Foi o lugar que me convenceu: o teatro de arena da UFRJ, a coisa mais linda. A "faculdade rosa". A cara das pessoas também, de engravatados a hippies, passando por outros estilos. Essa diversidade que eu não encontrava no colégio e que me faltava.  

Mas ali, naquela altura, você me mostrando a foto, eu fiquei foi com inveja. Não eram ciúmes, era inveja mesmo. Queria um book daqueles pra mim. Queria te mostrar também, claro. Como eu podia ser bonita assim e você nem via. E olha que curioso: você viu. Tantos anos depois, quando por motivos outros acabei também fazendo um, saí correndo da sessão de fotos, ainda maquiada e vestida, para a estréia de uma peça sua. E fui no camarim falar depois, como sempre. Me lembro até hoje da tua cara de espanto. De você me dizendo como eu tava diferente. Eu, na verdade, não tava tão diferente, aquilo era obra do maquiador e cabeleireiro que tinha me produzido pras fotos. Depois que eu tomasse banho, voltaria a ser eu. Era só brincadeira. Você deveria saber, ali ainda vestido com os trajes de palco.

E a gente nunca ficou juntos, embora tenha sido amigos por tanto tempo. Uma vez a gente até falou disso: mas pra dizer que não tinha rolado, que não ia rolar, embora pudesse. Embora sua mãe e a minha fizessem o maior gosto (e isso era outro motivo pra não rolar, né).

Pois é. Aceitei a menina aquela no feicebuque. Nem sei por que ela me adicionou. E da última vez que te vi, fiquei meio triste. A gente praticamente não se falou. Como se agora, de verdade, estivesse distante. Como se o afeto tivesse ido definitivamente pro arquivo das lembranças. Achei que nunca. Você? Nunca. 


O teatro de arena da minha faculdade rosa.