Pois é. Quem não lida com isso não sabe, mas é claro que tem especializações, tendências. Diferenças de fazer e de ver. Astrologia mundana, astrologia horária, astrologia tradicional....
Minha praia é mais facilmente contada pelo viés das mestras: Claudia Lisboa e Martha Pires Ferreira.
Claudia foi a primeira, a que me deu régua e compasso. O vocabulário, o jeito de olhar. Ela vem da linhagem começada por D. Emy, Emma Costet de Mascheville, uma senhora de nome de princesa e alma ampla, de muitos filhos biológicos e astrológicos. Eu sou uma neta, dentre tantos. Claudia, luminosa, em sua casa branca no alto do morro, ensinava desfiando, piscianamente: contando história. Fazendo caminho. Um curso de vários anos, porque astrologia não se aprende do dia pra noite. Indo pelos signos e seus significados. Pelas casas, pelos aspectos. Revelando pra gente a gramática por trás daquilo tudo. Sem esquecer a arte. Sem nunca esquecer a arte.
Martha Pires foi a segunda: autodidata, irreverente, sábia toda vida.... no principado de Santa, entre estantes e quadros, levou a gente (Miriam, Jayme, eu) a aprofundar aspectos, trouxe novo olhar vindo de tantos anos de prática, conduziu a gente pela mão no estudo de mapas de famosos. Vidas fechadas e conhecidas, boas para entender a matéria da astrologia. Uma alegria ver a Martha interpretando um mapa.
Tanto uma como outra têm em comum a generosidade e o brilho no olho: uma curiosidade permanente, uma vontade de destrinchar mais, de aprender mais que não cessa. Considero que fui muito abençoada: grandes mestras essas. Agradeço (aos deuses, aos orixás, ao acaso).
Depois dos anos de aprendizagem, o negócio é fazer caminho, que astrologia é prática. Nem sempre tranquilo, nem sempre fácil: mas um caminho bom de andar, viu.
Os mapas de gente é que são minha praia: do resto sou observadora interessada. Gosto de fazer mapa de gente que "não acredita": não tem a ver com acreditar, não é mesmo? Não é para convencer, que também não é disso que se trata. Para apresentar. Como uma forma de ver, de organizar isso que a gente chama de realidade.
Mapas de clientes desconhecidos: fascinantes pelas descobertas. Pelos encontros das pessoas consigo mesmas, de uma forma diferente. É um caminho a se fazer juntos, uma troca: o mapa permite uma análise simbólica e quem dá concretude aos símbolos é, evidentemente, quem o vive. Assim, os mapas em que o cliente não abre a boca ficam mais pobres, na minha opinião. "Les meilleurs thèmes sont ceux dont le client fait lui-même la moitié", parafraseando Voltaire.
Mapas de gente conhecida, amiga: é sempre um encantamento. Como se eu estivesse conhecendo a pessoa de novo: outro olhar. Chego no mapa desarmada, sem procurar confirmar o que já sei sobre a pessoa. E em geral me surpreendo. No começo foi difícil, é grande a tentação de buscar reforços às "verdades" que se sabe: mas é claro que o propósito não é esse, e à medida que se vai adquirindo confiança, pela prática, vai ficando mais simples olhar com olhos novos. De ver. "Olhos de criança", como uma vez me disse alguém.
Revoluções solares: o ritmo e o arranjo do ano ao tocar a melodia do mapa. Alguns mais agitados, outros mais tranquilos; alguns mais cheios de bossa, outros mais básicos. Com ênfases em áreas diferentes.
Sinastrias: como se dá sua relação com o outro? O que há em comum, o que há de particular? Onde os encontros, os desencontros? Qual a fonte dos desentendimentos e das dores? Ajuda um tanto olhar e saber. Acho que dá certa acalmada.... e pode colaborar para novas formas de trocar e de compartilhar.
Por aí vou caminhando. Lentamente, como boa taurina. Um pé após o outro, na busca da segurança. Este ano, fazem dezesseis anos que comecei a estudar astrologia. Foi no ano 2000, vejam só... um ano fértil. Em janeiro de 2001, nasceria meu segundo filho. Veio junto com a astrologia. :)
| Mestras: Claudia e Martha. Obrigada! |
foto daqui.







