A mulher taurina é de terra, é fértil, e seu corpo respira essa sensualidade espontânea que vem do saber instintivo de que o sexo (como o prazer da comida) é parte integrante da vida, está na ordem das coisas.
Vejo-a roliça, com seios fartos e braços redondos, e a personagem que me vem à mente é Clara, de “As Pupilas do Senhor Reitor”, quando lavava roupa no riacho – taurinamente trabalhando -, os braços reluzentes de água e os cabelos caindo-lhe de tempos em tempos sobre o colo, jogados para trás com um gesto de cabeça. As faces rosadas, os olhos brilhantes, tudo nela lembra plantação, fartura, colheitas.
Já a escorpiana é a um só tempo fascinante e sombria. Seus olhos magnéticos, sumidouros de toda luz, são sua arma de sedução. A forma do seu corpo não é tão importante quanto o poder de sua aura, e o que diz não é nada perto do que cala.
Assim como cala, impõe silêncio de um gesto, e nos deixa a nós, pobres mortais, enfeitiçados e perdidos.
O sexo, celebração terrena para a taurina, torna-se para a escorpiana um espaço de comunhão com o sagrado - um ritual de iniciação com óleos essenciais e velas bruxuleantes, que exige respeito e entrega profunda. Calemo-nos.